sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Mudar o Mundo


James C. Hunter diz que “Queremos mudar o mundo mas não a nós mesmos”, e esta frase vem ao encontro com o que escreveu George Shaw: “O homem sensato adapta-se ao mundo e o homem insensato insiste em adaptar o mundo a si. Sendo assim, qualquer progresso depende do homem insensato”.
Para baralhar a equação, acrescento-as à frase de Carl Rogers: “Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”.
Visto dessa forma, partilhamos o nosso Mundo com um gigantesco bando de insensatos, que se recusam a mudar a eles próprios e apenas conseguem ver os seus próprios mundos reflectidos nos olhos dos outros.
E ainda por cima, cada uma dessas empedernidas criaturas está plenamente convencida que o seu modo de pensar e de viver é que está realmente certo, e que o seu caminho é o único que está correcto!
Isto parece uma coreografia gigante, envolvendo centenas ou milhares de pessoas, e em que cada um dos participantes julga que é o único que está no compasso certo…

E assim vamos (sobre)vivendo no fio da navalha, em que cada um cuida do seu perfeito mundinho, ao mesmo tempo que olha com desdém e reprovação para o umbigo do outro, desperdiçando desta forma recursos preciosos, como o tempo. E tão inutilmente…..

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Tânia


Caríssimos e Caríssimas

Lembram-se da Tânia? Aquela que limpou a casa do namorado e até o gato lhe levou?
Pois, ela não ficou contente com a história que contei. E eu, por ser Natal, resolvi dar-lhe voz....

Se quiser saber a história toda, carregue no link 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

D. Luisa (2 de 2)



E nesse instante preciso começou a revolta!

As forças de segurança ficaram sem saber o que fazer, pois não sabiam se mantinham a população em segurança por causa da condução da D. Luisa ou se mantinham a D. Luisa em segurança por causa da revolta da população.

O Chefe telefonou ao Comandante, que alarmado desencadeou uma cadeia de contactos que subiu até chegar ao Ministro. Que ligou ao Costa….

Mas estás a falar de que Geringonça, meu?”, gritou exasperado o PM. Sem saber o que fazer, ligou à Catarina, pois eram oito e meia da noite e o Jerónimo já estava a dormir.

Oi Catarina. Tudo bem? E o que é que pensas fazer com esta situação? Perguntou Costa, ao que respondeu Catarina “Não sei. Mas eu e a Marisa e já passamos por aí…”

Sem se aperceber de nada do que se estava a passar, a D. Luisa chegou pela enésima vez à sua praceta, e ao vê-la completamente vazia, exclamou, toda contente “Assim sim! Até que enfim que encontro um lugar de estacionamento de jeito!

E lá enfiou o focinho do pobre veículo em cima do passeio, imobilizando-o apenas a uns míseros centímetros de o fazer baldar ribanceira abaixo. Até o seu automóvel respirou de alívio.

Nesse preciso momento a Catarina e a Marisa chegam a casa do Costa a tempo de assistirem através da televisão à derradeira manobra automobilística da D. Luisa.

E após os três respiraram fundo em uníssono, começaram a falar de outras geringonças, pois erradamente julgaram que toda esta situação já tinha passado.

Tinham passado poucos minutos quando a Marisa, tendo ido buscar uma bebida mais forte, verifica na televisão que a situação no local tinha mudado drasticamente.

Ó pessoal venham aqui ver isto, depressa!
Realmente o que um heli de um canal de notícias mostrava era digno de se ver!

Os populares tinham começado a sua marcha, e estavam a ser barrados pelos Comandos, pelo Rui Reininho (com os GNR) e até pelos Escuteiros, que aproveitaram para vender mais uns calendários e porta-chaves.

Na troca de palavras, insultos e vapor que se seguiu, a frustração e a indignação da população subiu tanto de tom que começaram a lançar cocktais molotov sobre as forças de segurança.

Mas em vez de arremessarem garrafas a arder, atiravam copos vazios de shot, pois o álcool está caro e não é para desperdiçar! E depois de o beberem todo e porque já não tinham mais nada para atirar, foram-se todos embora em direção ao Bairro Alto..... 

Entretanto a D. Luisa, alheia a todo o caos envolvente, encontrava-se deliciada, rodeada de jornalistas, relatando a agradável sensação de ter encontrado um lugar nesta cidade ingrata que não respeita os automobilistas inexperientes.

Nesse preciso instante começaram a chegar políticos por todo o lado, cada um deles a prometer mais do que o outro, aproveitando o facto da D. Luisa estar naquele momento sob as luzes da ribalta.

Era um a prometer-lhe um passe social vitalício, outro um lugar de garagem, outro mais lugares de estacionamento....

Mas quem ganhou de caras foi o Costa que acabado de chegar, lhe prometeu logo disponibilizar um dos seus motoristas particulares (neste caso um todo bem apessoado, conforme reparou logo a D. Luisa) para seu uso exclusivo e permanente…..

E todos nós festejámos rijamente quando a proposta foi aceite. Parecia que tinhamos ganho outra vez o Campeonato da Europa!

Deste modo este grande imbróglio, que poderia ter resultado numa feroz guerra civil, foi finalmente resolvido, e a contento de todos.….

Desculpem, eu disse “acabou”? Não. Não tinha ainda acabado. Não com esta “bela” solução.

É que nesse preciso instante e por todo o país, inúmeras senhoras, devidamente habilitadas a conduzir, mas sem o fazerem há décadas, começaram a tirar das carteiras as suas cartas de condução…….

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

D. Luisa (1 de 2)


O pobre automóvel andava à volta do bairro há bastante tempo, bufando, sem se decidir por um dos inúmeros lugares de estacionamento disponíveis.

Para a D. Luisa todos os lugares eram “demasiado estreitos”. Ou então “estacionar do lado esquerdo nem pensar”. Bem, se fosse do lado direito era igual.

É que a D. Luisa procurava o que chamamos de "um lugarão". Vocês sabem, daqueles que se estacionam de frente e com uns bons cinco metros entre o seu automóvel e os outros.

E, claro, mesmo dentro da sua praceta. E de preferência, junto à porta do prédio, para não ter de andar muito.

Como habitualmente nestas ocasiões a Proteção Civil, o INEM e a PSP estavam de prevenção, tendo já sido emitidos os alertas da praxe à população e as barreiras já estavam colocadas, estando os maqueiros dos Bombeiros nas suas posições habituais.

As saídas de automóvel da D. Luisa careciam de tantas prevenções e cuidados como as largadas de touros em Vila Franca de Xira. Aliás, eram consideradas bem mais perigosas.

E até tem sentido. É que nas largadas os habitantes dessas localidades já estavam prevenidos.

O pobre do automóvel continuava a dar voltas sobre voltas, e as ruas do bairro iam ficando cada vez mais vazias de transeuntes, acumulando-se no Centro Comercial ou fechando-se em casa, com tudo corrido.

Nem sempre foi assim naquele pacato bairro. A D. Luisa desde sempre teve licença para conduzir, mas felizmente para todos, teve sempre um receio quase patológico de conduzir.

É que tenho de olhar para tanta coisa que não consigo”. Dizia. E os seus vizinhos sorriam de evidente felicidade. Agora já não o fazem.

Realmente assim era. Conduzir um automóvel requeria colocar as mudanças, olhar para o espelho retrovisor do lado do condutor, do lado do pendura e do habitáculo, saber quando era necessário colocar o pisca da esquerda e o da direita, o limpa pára-brisas e as suas múltiplas velocidades, estar atenta aos outros automóveis, aos erráticos transeuntes, aos semáforos, aos sinais verticais, às passadeiras…...

Num frio mas soalheiro dia a notícia alastrou-se mais rápido que o vírus da gripe numa sala de espera de um Centro de Saúde!

É que alguém tinha visto a D. Luisa sentada no lugar do condutor de um automóvel novo, branco leite! E ainda por cima sem o marido ao lado.

Foi um escândalo. Todos comentavam “Já viram isto?”, “Eu com esta idade já não posso anda a fugir daquela mulher” , “Com o andarilho não consigo correr nas passadeiras!” ou ainda “Vou-me mudar. Não quero correr riscos”.

Assistiu-se então naquele bairro às cinco fases habituais de uma muito má notícia:

A negação Não, a D. Luisa jamais iria conduzir num automóvel

A raiva Eu mato-a. Eu desfaço aquela gaja!

A negociação D. Luisa, mas afinal o que quer para que não conduza?

A depressão Eu jamais irei sair de casa novamente!

A aceitação Foi o destino. Não posso fazer nada em relação a isso….

Andava tudo incendiado para aqueles lados. É que para cúmulo o automóvel que a D. Luisa tinha adquirido não era dos chamados “Papa Reformas”, que com o seu motorzito, que caso choquem com algum incauto transeunte não matam mas desmoralizam.

Não, a D. Luisa tinha investido num 1200cc, por isso, perigosíssimo. Nas mãos dela, claro.

Cientes de que aquela zona se tinha tornado mais perigosa que Alepo, as companhias de seguros tinham feito disparar os prémios dos seguros de acidentes pessoais de todos os moradores da zona, para consternação de todos.

Instantaneamente os preços das casas entraram em profunda baixa, as lojas começaram a fechar e toda a economia da zona entrou em profunda depressão.

Foi o transbordar do copo!


(continua)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Red Vader



As Andorinhas partiram há muito e a sua ausência anuncia mais uma vez a aproximação do Natal. E com ele renasce das suas próprias cinzas o Movimento Abolicionista do Natal e Passagem do Ano, o MANEPA!

MANEPIANOS, o Inimigo Natalício está por todo o lado e cada vez mais forte. Nós somos poucos mas determinados e estamos preparados para tudo. E as nossas bazucas estão carregadas e prontas a usar.

É que o Velho de Vermelho está quase a sair da sua toca, acompanhado pelos seus chifrudos!

Assim, temos mais uma soberana ocasião para o fazer cair de vez, antes que encha o Mundo com os seus “ho-ho-ho”, que tanto causam calafrios, arrepios na espinha e insónias.

Pensando bem, não são “ho-ho-ho” que me causam isso tudo. É mais ver o extracto bancário posterior à sua passagem….

Mas não interessa! Aquele vil merece ser extinto pelos transtornos que causa, por exemplo, às pobres criancinhas.

Nesta época do ano são elas que, na realidade, mais sofrem, e ainda por cima querem que se pense exactamente o contrário!

É que as criancinhas são arrastadas para as lojas, apenas para verem os seus pais a fazerem compras para todos, menos para elas! E depois admiram-se das birras!

E é bom nem falar das cartas que as pobres inocentes enviam para o Velho de Vermelho para serem ignoradas. Conseguem imaginar as suas frustrações? Resultam em tantos traumas que nem com uma eternidade de Terapias se conseguiria remediar a situação!

Caríssimas e Caríssimos Membros da MANEPA. Estimadas e Estimados Acompanhantes deste Blogue em geral, eu tenho uma revelação muito importante a fazer-vos!

Andei tantos anos neste mundo e não consegui ver o óbvio. E era tão simples. Bastava seguir as pistas…

Vocês nunca estranharam que ninguém saiba do Velho de Vermelho durante quase todo o ano? Que não seja fotografado nos resorts das Caraíbas? Que não frequente festas em Ibiza? Que não assista ao vivo à Final da Liga dos Campeões?

Não gostariam de saber onde está o Velho de Vermelho durante onze meses do ano? Decerto que sim. Mas ninguém sabia. Até agora.

É que eu descobri. Descobri que o Velho de Vermelho passa esse tempo todo num Universo muito, mas mesmo muito longe…..

o Velho de Vermelho é um dos personagens principais na saga Guerra das Estrelas! E, claro está, do LADO NEGRO.

Ele é RED VADER, o Vilão do Natal!

E irmão mais novo do Darth Vader e primo do Imperador, essa Corja de Malandros da pior espécie.

MANEPA para Sempre. A vitória será nossa! A Força está do nosso lado.

Nota: Para vosso maior enquadramento sobre esta guerra milenar e o nosso Movimento, recomendo a leitura ao texto MANEPA neste Blogue XABI VERDE!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O Amor já moveu Montanhas


Numa cerimónia a que assisti há pouco tempo ouvi a Conservadora dizer aos nubentes que o casamento era um contrato especial, porque envolvia um sentimento: o Amor!

E de todos os sentimentos, o Amor é mesmo (muito) especial. Certo. Concordo. Mas ando desconfiado que este já não é o que era.

Casamos e estamos juntos por Amor. Impensável outra forma. Mas no entanto casamos (de papel assinado) cada vez menos.

Será por não confiarmos uns nos outros o suficiente? Ou será por ser mais fácil e rápido cada um ir para o seu lado, caso o Amor acabe?

As estatísticas dizem que mesmo entre os que tiveram a certeza de o casamento era o caminho, a taxa de divórcio é crescente.

Mas nas relações maritais a taxa de separação deve ser maior que nos casamentos. E é notório que o tempo médio de um casal é cada vez menor.

Por vezes renasce a esperança pois (julgamos) encontrar a outra metade da laranja....mas a laranjada azeda muito rápido. E nem adianta deitar açúcar, pois amarga ainda mais!

Gostamos e desgostamos muito rapidamente. E estamos a acelerar. Ao mínimo sinal de discórdia "deixamos de amar". E o “não deu” é sempre a resposta.

À mínima vibração negativa deixamos de acreditar no futuro a dois. Estamos agora a sentir ao momento. O sim ou o não. O clique.

As decisões sentimentais são tomadas no momento, sem pararmos para pensar, para reflectir. E não admitem retorno. Resta seguir em frente, para outra.

E muitas vezes acontece sem diálogo. Decidido por um, separam-se os dois. E tudo acaba.

Assim não vale a pena investir no Amor e nas relações, pois tudo pode acabar num minuto. Num nada e por nada.

Vejo agora que o Amor e as relações são como as pastilhas elásticas. Deitam-se logo fora quando começam a perder o sabor original.

E tudo isto é dito e feito em nome do coração, da emoção, da sensação imediata.

Tudo em nome do Amor....
... por nós mesmos....

Que saudade dos tempos em que o Amor movia Montanhas… 
…pois agora este desaparece quando surge uma qualquer pedrita no caminho…

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Zombies Urbanos


Estou na plataforma do metro e levanto a cabeça, calibrando os meus ouvidos.

Os únicos sons que consigo distinguir são os que se escapam de alguns headphones mais ou menos próximos.

Chega a composição e observo as pessoas, perfeitamente ritmadas nos seus movimentos, a adentrá-la.

Meneio a cabeça a pensar: Zombies não se imitariam melhor.

Entro na carruagem e não tiro do bolso o meu smartphone. Mas reparo que sou o único a não fazer esse movimento.

Olho à volta e reparo que a curvatura do pescoço é exactamente igual em todas as pessoas que vejo, como se estivessem a cumprir uma penitência em conjunto.

Tento fixar-lhes os olhos e o único brilho que vejo é o do reflexo do ecrã. Nada mais. Triste.

Sinto-me só rodeado de gente, que não me vê, não me ouve, não me sente. Sou apenas mais um.

Que desperdício de tempo que podia ser de emoções, de conversas, de olhares.

Tantos corpos emersos não nos seus próprios pensamentos mas nos dados móveis recebidos.

Decerto que nunca ninguém imaginou que pudesse haver tanta alienação global, tanto desligamento da realidade.

Nem me parecem fascinados pelo que vêm. Mais parecem hipnotizados. Apenas olham, sem emoção alguma…

Estaremos a ficar cada vez mais apáticos?

Apenas alguns desportos parecem ter ficado imunes a esta falta de emoção.

Pensem por exemplo na comoção em tempos idos na política nacional, especialmente em períodos eleitorais.

Agora a adesão é “tão grande” que mesmo os maiores partidos deixaram de realizar comícios.

Mas afinal o que comove as pessoas? O que as faz correr?

Não sei. Muito pouco. Ou talvez nada. 

Ao virtualizarmos as nossas emoções, certamente apenas restará a apatia.

Vou continuar a levantar a cabeça na esperança de encontrar alguém que como eu, não esteja a olhar para o ecrã do seu smartphone…


… nem que seja por ter ficado sem bateria J